Lockdown: A crise na saúde que levou ao fechamento de comércios e serviços ao redor do mundo

Diante do avanço do novo Coronavírus, alguns líderes de governo avaliaram que as medidas para enfrentamento antes tomadas não estavam sendo suficientes para diminuir o contágio e, por isso, resolveram adotar a política de lockdown. Comumente chamado de isolamento, essa providência consiste em proibir o deslocamento, de todos os tipos, em um determinado perímetro, seja ele uma cidade, estado ou até mesmo região.

Essa medida de distanciamento social pode ser seletiva ou ampliada. O isolamento seletivo é voltado para grupos específicos, de forma a não impossibilitar a circulação de toda a sociedade ou até mesmo suas atividades. No caso da covid-19, os grupos que ficariam em isolamento seriam os de risco, pessoas com mais de 60 anos e pessoas que apresentassem os sintomas. Já o distanciamento ampliado prevê que todos os setores da sociedade em isolamento, com exceção daqueles considerados essenciais, como farmácias e mercados, por exemplo. Ele visa reduzir a velocidade de propagação ao máximo para, com isso, ganhar tempo para equipar os serviços e servidores da área da saúde com condições mínimas para seu funcionamento.

O lockdown deveria ser um dos métodos mais eficazes e radicais para a redução da curva dos casos de Coronavírus, mas possui um custo econômico altíssimo, principalmente se apenas os setores considerados essenciais estiverem funcionando.

A universidade inglesa, Imperial College London, vem desenvolvendo diversos estudos com a temática do Coronavírus, um destes consistiu na identificação de diferentes manifestações da adoção do lockdown em diversos países e seus respectivos impactos. A Áustria, por exemplo, proibiu o acesso a locais públicos e reuniões com mais de cinco pessoas, além de ser necessária a distância de, no mínimo, um metro entre as pessoas. Já na França, é necessária uma autorização para que as pessoas possam sair de suas casas, sendo passível de punição com multa o descumprimento de tal medida.

Assim como em outros países, o Brasil também adotou essa política drástica, sendo o Maranhão o primeiro estado a decretá-la. Serviços como o funcionamento de farmácias, hospitais, mercados e circulação de caminhões de carga foram alguns dos únicos que tiveram seu exercício liberado. Em coletiva, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB/MA), anunciou que a polícia estaria autorizada a adotar medidas coercitivas para aqueles que não estivessem respeitando o decreto e que o objetivo do governo é reforçar a prevenção.

No Pará, a população foi orientada a somente sair de casa em situações de emergência e casos de extrema necessidade. O transporte intermunicipal só é permitido nestas situações, sendo necessário o porte de um documento que comprove o motivo da saída, além do uso obrigatório de máscaras.

Em São Paulo, os casos de covid-19 têm avançado rapidamente, mesmo com as medidas de isolamento anteriormente implementadas, o que levou o governador João Dória (PSDB/SP) a levantar a possibilidade de também implementar o lockdown. Em entrevista para o jornal O Estado de São Paulo, Dória afirmou que o protocolo só seria colocado em prática se o comitê de saúde decidir a necessidade da ação e, caso seja decretado, os deslocamentos poderão ser efetuados apenas em áreas com plena necessidade, como serviços de saúde, abastecimento e segurança pública. Os índices de isolamento seguem muito abaixo do determinado pelas autoridades do estado e, sem sucesso, neste domingo (17), a prefeitura anunciou o fim do rodízio ampliado de carros, de forma que a sua circulação deve voltar ao normal nos próximos dias.

Nelson Teich, ex Ministro da Saúde, vinha defendendo uma abordagem não linear, que consistia em tomar diferentes medidas para diferentes lugares, levando em consideração os quadros de realidade desses lugares.

“Vai ter lugar em que o lockdown é necessário, vai ter lugar em que eu vou poder pensar em flexibilização. O que eu preciso é que a gente pare de tratar isso de uma forma radical, até para que a gente tenha a tranquilidade de poder implementar as medidas em cada lugar do país onde a melhor coisa vai ser feita naquela situação. (…) Quando a gente fala em isolamento, distanciamento, existem vários níveis. O importante é que não há defesa de isolamento ou não isolamento, você vai ter vários níveis de medidas. Desde as mais simples, como distanciamento pequeno, até o lockdown. Cada local terá sua necessidade. O importante é que a gente vai mapear. Você cria uma matriz, com casos novos, infraestrutura, evolução e vê em que região está. Não é ser contra ou a favor, é ver o que é certo. Vai ter lugar com lockdown, vai ter lugar que não terá” afirmou o Ministro em coletiva de imprensa. 

A meta do Ministério da Saúde, segundo Teich, seria a de flexibilizar o dia a dia das pessoas, mas que as medidas iriam depender dos dados da curva de mortes e da situação do sistema de saúde em cada estado.

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, acredita que o Brasil tem se preparado muito bem para um lockdown e que a saída do distanciamento social dependerá de uma série de fatores, como testes em massa. Ele acredita que é necessário conter reajustes dos servidores públicos, mas que isso não impede a criação de bônus para os que estão atuando no combate à covid-19. Em audiência na Comissão de Acompanhamento da covid-19 do Congresso Nacional, Mansueto afirmou que o futuro da economia do Brasil dependerá de reformas e que será necessário avaliar os programas públicos para evitar que o país gaste dinheiro em medidas que não estão tendo um retorno satisfatório.

 

Escrito por: Rebeca Andrade

Fontes:

Agência Brasil explica: entenda o que é o lockdown

Report 13: Estimating the number of infections and the impact of non-pharmaceutical interventions on COVID-19 in 11 European cou

Report 21: Estimating COVID-19 cases and reproduc- tion number in Brazil

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‘Vai ter lugar em que o lockdown é necessário’, diz ministro da Saúde

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