Relações Governamentais: a importância da área na visão dos profissionais

      Você já ouviu falar da área de Relações Governamentais (RelGov)? Se sim, sabe como é o dia a dia dessa profissão? Qual a importância dela para o mercado e para a sociedade? Ninguém melhor para falar sobre o assunto do que o próprio profissional desta área. A Strategos, em parceria com o SigaLei, realizou entrevistas com alguns indivíduos que trabalham neste setor e que concordaram em compartilhar um pouquinho das suas experiências com a gente. Confira: 

      Mariana Castro, gerente da Vector Relações Governamentais, atua na área desde 2012. Formada em Relações Internacionais, despertou muito cedo o interesse pela diplomacia empresarial quando era estagiária no Ministério das Relações Exteriores. A assimetria de informação entre as áreas pública e privada sempre foi um incômodo para ela, o que a levou a conectar esses setores.

      Irlon Júnior, consultor da Vector, atua desde 2015. Também formado em Relações Institucionais, sonhava em ser diplomata, mas a acabou visualizando melhor a negociação de interesses na área de RelGov, a qual lhe chamou mais a atenção. O fato das políticas públicas serem moldadas por aqueles que são afetados por elas o fascinava e por isso optou seguir por esta área.

     Para ambos, a aproximação entre os governantes e legisladores com os representantes do setor empresarial é essencial. Eles reconhecem que existe um espaço de participação empresarial nas decisões públicas que, muitas vezes, pela falta de conhecimento do setor empresarial não é explorado da melhor forma.

       O profissional de RelGov seria, portanto, o responsável por conectar e muitas vezes facilitar este diálogo, esclarecendo, por meio de uma visão mais técnica e ampla, as possibilidades de atuação para a defesa dos interesses dos seus clientes. Este profissional necessita de conhecimentos multidisciplinares – desde conhecimentos técnicos sobre movimentações políticas até de gestão empresarial – para poder sempre auxiliar o cliente da melhor forma possível. Mariana e Irlon acrescentaram que habilidades interpessoais também auxiliam no desempenho das demandas dessa área.

     Helena Esteves, consultora da Prospectiva Macropolítica Consultoria, estuda Ciência Política na Universidade de Brasília e descobriu a área por meio da vivência empresarial que obteve na Strategos, Empresa Júnior do seu curso, da qual foi Presidente Organizacional. Para ela, é muito importante tanto para o governo como para as empresas que todos os lados de um debate envolvendo uma tomada de decisão sejam ouvidos, para evitar conflitos futuros.

       Segundo ela, a empresa que fica fora desse espaço de debate perde a oportunidade de colocar suas especificidades temáticas no palanque decisório, podendo ser prejudicada por isso. O Lobby sempre existiu, e grandes empresas e players políticos sempre o praticaram e continuarão praticando. O que muda agora são dois aspectos: 1) este processo ocorre de forma mais transparente; e 2) pequenas empresas e organizações, normalmente marginalizados e excluídos deste processo, estão participando mais ativamente do debate e se munindo de informações e meios para tal.

       Eduardo Galvão, gerente de Relações Governamentais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), também atua como professor de Relações Governamentais e de Políticas Públicas no Ibmec e no UniCEUB.

        Para ele, há uma certa dificuldade em revelar o que faz por conta de dois motivos: o pouco conhecimento das pessoas a respeito da profissão de lobista e o rotineiro vilipêndio a que ela é submetida quando essa palavra, tão carregada de estigma, ganha as manchetes dos jornais. Segundo Eduardo, ”o lobby é o contraponto da corrupção. É gasto tempo fazendo pesquisa, análises, relatórios, sola de sapato, para tentar convencer o pessoal. Quem leva a mala preta não precisa de análise e convencimento.”

     Análise e convencimento representam a essência do trabalho do profissional de Relações Governamentais ou Institucionais. Assim como a maioria dos brasileiros, Eduardo tinha uma vaga ideia do que era a atividade, quando foi escalado pela escritório de advocacia para exercer essa função. “A partir daí, eu fui descobrindo. É uma coisa que te apaixona”, conta ele, que há 16 anos trabalha na área.

      Por fim, ele afirma que o respaldo à atividade pode aumentar com a regulamentação e cita como positiva a nova redação apresentada pela deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) no Projeto de Lei do deputado Carlos Zaratini (PT-SP), que regulamenta o lobby. A nova redação atende aos objetivos de desburocratizar e de evitar barreiras de acesso a grupos sociais menores e menos estruturados. O Projeto já foi aprovado nas comissões e pode ser votado a qualquer momento.

Autoria: Leonardo Simi

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